sexta-feira, 16 de março de 2018

Clausura


A máscara não caiu.
Nunca esteve ali
Sempre foi aberta, a face, aos olhos
Sempre esteve em permanente estado.
Estado de rima
Estado de amor
Estado de alegria
Até uma rachadura se abrir
Para a realidade escondida na sociedade do tempo dos murados...

- A planta está viva e só se meche conforme o tempo.

Os muros servem para paralisar os pensamentos, escurece-los

Acontece que planta não vive escondida no esquecimento...
                                 Alexx Albert (13/03/18)

domingo, 11 de março de 2018

Resposta ao "When"


enquanto você pendurava as cortinas da casa
eu lembrava que mesmo os dias feios são bonitos
e que devemos manter as nossas flores abertas

enquanto você disfarçava o cheiro de sua tristeza
eu lembrava que devemos deixá-la exalar.
pelo seu trabalho o exaustor é útil,
e quando necessário: catalizar...

enquanto você pedia cura da criança que havia em você
eu lembrava que a criança já é pura mesmo debilitada;
a criança é a auto-cura

enquanto você colhia estrelas para guarda-las em seus olhos
eu lembrava daquelas que eu havia largado para te iluminar

enquanto você aprendia a ser uma pessoa melhor para alguém
eu lembrava que deste modo você estava sendo boa para si
e que isso é incomparável a questão do ser

enquanto você se jogava nos precipícios
eu lembrava que a vida é feita desses voos
às vezes estancamos em solos
às vezes estamos soltos
mas devemos prosseguir

enquanto você tentava se tornar eterna
eu lembrava da arte de expressar o feminino batom vermelho que carrega
e que eterno é o que agrega

enquanto você tentava ser una para alguém
eu lembrava que às vezes nos perdemos nos caminhos do coração

e,

acredite,

o caminho às vezes é sem direção...

                      Resposta ao poema "when" de Virgínia Cavalcanti que tanto me traz sabedoria e inspiração
                                                                             Alexx Albert

quarta-feira, 7 de março de 2018

Caetano


Eu acordei pensando em Caetano

Caetano é alguma coisa
Caetano estava ao meu lado
Caetano não é esse Caetano
Caetano não é daqui nem da Bahia
Caetano é outro Caetano
Caetano que rima comigo
Caetano que dança
Caetano que brilha
O corpo de Caetano brilha quando dança
Os meus olhos brilham quando Caetano dança

As vezes acho que Caetano é mudo
Caetano fala mais durante o sexo que em outro
Caetano geme e eu lembro
Que a fala de Caetano é mansa, baixa
Caetano e a voz gostosa
A bunda gostosa de Caetano
Caetano parece ter o pensamento preso
O pensamento bula de Caetano

Caetano atravessa a ponte
Caetano reclama mais baixo do que quando fala
Caetano é baixo
Mas o cabelo de Caetano é alto
O cabelo de Caetano é moldura moldável em rosto acre
Rosto rude de Caetano
Mas quando o sorriso abre Caetano é doce
Não! Caetano é sempre doce!

Caetano na janela é foto
Na cama Caetano é mesa
Depois Caetano é banho, às vezes não.
A ancestralidade de Caetano cheira
As narinas largas de Caetano respiram
Inerte Caetano
Caetano de cheiro que eu prefiro
Na barba e atrás das orelhas de Caetano
Caetano que eu prefiro na semelhança
Entre os olhos e a bunda de Caetano
As jabuticabas de Caetano
O mistério que Caetano tem por dentro
Caetano que eu só conheço por fora

Caetano que eu não sei nada!
Exceto que Caetano dança...
Caetano é miscelânea
E eu nunca entendo a dramaturgia de sua cena contemporânea

                              Alexx Albert

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Arcano V


Andou ao meu lado e sentou na areia. 
Jogou bola com os mendigos. 
Andou entre prédios e precipícios. 
Mostrou o eu que não era lírico. 
Falou dos postes velhos de ferro que eram alimentados com óleo de baleia. 
Fez voltas com os passos pela direita e pela esquerda. 
Bolas altas num vôlei certo e errado. 
Procurou o caminho do sol e foi tapeado pelos predios altos.
Na soma de tudo sobrou tudo. Dividimos. 
Eu fiquei com o chinelo, ele com o arcano V.

                                                              Alexx Albert

segunda-feira, 5 de junho de 2017

B.O.


Sempre achei BOceta palavra normal

Órgão

Já BUceta é palavrão

E de lábios grandes

                       Alexx Albert

sexta-feira, 17 de março de 2017

Eloquência


Eu só sei explicar
Se o vento trouxer algum cheiro,
Se a água mesmo turva
Formar algum tipo de espelho,
Se a nuvem parecer um desenho
Ou um cabelo de algodão-doce.
Alguma coisa como um sonho compartilhado,
O abstrato desejo
De querer seu beijo.
Alexx Albert

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sobre coisas que conversamos e outras não



Eu sempre me apaixono por alguém,
Meu vício é a paixão, e não é só esse,
Mas é algo se comente agora.
Eu sempre me apaixono por alguém
E cada dia é um algo diferente:
Há uma ordem de fatores de estados brasileiros
Que amo de um desejo derradeiro,
Sempre alterando o produto,
Cada dia gosto mais de um
E cada dia menos de outro
Até que, aquele outro,
Dia,
Voltasse.
E volta às vezes com tudo
Às vezes absurdo, me machuco,
Sofro encolhido
Sem nem consumir o corpo físico desse amor desconhecido
São tantos os sentidos e a maioria me pergunta o signo
Uns fogem quando respondo
E não adianta nem dizer que não pareço ariano.
Não, não pareço... A não ser que me deixes louco,
O que já sou um pouco e a maior parte do tempo
Que nem me lembro de qual era o assunto
Quando me fazem essa pergunta de céu, 
Lua, 
Estrela em conjunto...
Enfim... Se apaixonar é tão bom...
É tão bom sentir o coração na barriga
A sua língua na minha mente
O desejo constante de segurar os seus pés 
Quando estiver sentado comigo frente a frente.
E que não se invente outra maneira de sentir!
Que se esqueça a maneira de falar
E que se coma com os olhos
E que depois de cinco minutos,
Ou não sei, talvez alguns poucos segundos,
Eu goze 
Nesse instante inerte de silencio em profundidade.
E goze muito,
Porque eu derramo dos olhos um sentimento puro
É o meu orgasmo por estar em sua presença
Nesse momento de mundo.

     Alexx Albert
    Sobre coisas que conversamos e outras não
    Rio de Janeiro, 14 de julho de 2016. 18hs e 30 minutos