domingo, 11 de março de 2018

Resposta ao "When"


enquanto você pendurava as cortinas da casa
eu lembrava que mesmo os dias feios são bonitos
e que devemos manter as nossas flores abertas

enquanto você disfarçava o cheiro de sua tristeza
eu lembrava que devemos deixá-la exalar.
pelo seu trabalho o exaustor é útil,
e quando necessário: catalizar...

enquanto você pedia cura da criança que havia em você
eu lembrava que a criança já é pura mesmo debilitada;
a criança é a auto-cura

enquanto você colhia estrelas para guarda-las em seus olhos
eu lembrava daquelas que eu havia largado para te iluminar

enquanto você aprendia a ser uma pessoa melhor para alguém
eu lembrava que deste modo você estava sendo boa para si
e que isso é incomparável a questão do ser

enquanto você se jogava nos precipícios
eu lembrava que a vida é feita desses voos
às vezes estancamos em solos
às vezes estamos soltos
mas devemos prosseguir

enquanto você tentava se tornar eterna
eu lembrava da arte de expressar o feminino batom vermelho que carrega
e que eterno é o que agrega

enquanto você tentava ser una para alguém
eu lembrava que às vezes nos perdemos nos caminhos do coração

e,

acredite,

o caminho às vezes é sem direção...

                      Resposta ao poema "when" de Virgínia Cavalcanti que tanto me traz sabedoria e inspiração
                                                                             Alexx Albert

quarta-feira, 7 de março de 2018

Caetano


Eu acordei pensando em Caetano

Caetano é alguma coisa
Caetano estava ao meu lado
Caetano não é esse Caetano
Caetano não é daqui nem da Bahia
Caetano é outro Caetano
Caetano que rima comigo
Caetano que dança
Caetano que brilha
O corpo de Caetano brilha quando dança
Os meus olhos brilham quando Caetano dança

As vezes acho que Caetano é mudo
Caetano fala mais durante o sexo que em outro
Caetano geme e eu lembro
Que a fala de Caetano é mansa, baixa
Caetano e a voz gostosa
A bunda gostosa de Caetano
Caetano parece ter o pensamento preso
O pensamento bula de Caetano

Caetano atravessa a ponte
Caetano reclama mais baixo do que quando fala
Caetano é baixo
Mas o cabelo de Caetano é alto
O cabelo de Caetano é moldura moldável em rosto acre
Rosto rude de Caetano
Mas quando o sorriso abre Caetano é doce
Não! Caetano é sempre doce!

Caetano na janela é foto
Na cama Caetano é mesa
Depois Caetano é banho, às vezes não.
A ancestralidade de Caetano cheira
As narinas largas de Caetano respiram
Inerte Caetano
Caetano de cheiro que eu prefiro
Na barba e atrás das orelhas de Caetano
Caetano que eu prefiro na semelhança
Entre os olhos e a bunda de Caetano
As jabuticabas de Caetano
O mistério que Caetano tem por dentro
Caetano que eu só conheço por fora

Caetano que eu não sei nada!
Exceto que Caetano dança...
Caetano é miscelânea
E eu nunca entendo a dramaturgia de sua cena contemporânea

                              Alexx Albert

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Arcano V


Andou ao meu lado e sentou na areia. 
Jogou bola com os mendigos. 
Andou entre prédios e precipícios. 
Mostrou o eu que não era lírico. 
Falou dos postes velhos de ferro que eram alimentados com óleo de baleia. 
Fez voltas com os passos pela direita e pela esquerda. 
Bolas altas num vôlei certo e errado. 
Procurou o caminho do sol e foi tapeado pelos predios altos.
Na soma de tudo sobrou tudo. Dividimos. 
Eu fiquei com o chinelo, ele com o arcano V.

                                                              Alexx Albert

segunda-feira, 5 de junho de 2017

B.O.


Sempre achei BOceta palavra normal

Órgão

Já BUceta é palavrão

E de lábios grandes

                       Alexx Albert

sexta-feira, 17 de março de 2017

Eloquência


Eu só sei explicar
Se o vento trouxer algum cheiro,
Se a água mesmo turva
Formar algum tipo de espelho,
Se a nuvem parecer um desenho
Ou um cabelo de algodão-doce.
Alguma coisa como um sonho compartilhado,
O abstrato desejo
De querer seu beijo.
Alexx Albert

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sobre coisas que conversamos e outras não



Eu sempre me apaixono por alguém,
Meu vício é a paixão, e não é só esse,
Mas é algo se comente agora.
Eu sempre me apaixono por alguém
E cada dia é um algo diferente:
Há uma ordem de fatores de estados brasileiros
Que amo de um desejo derradeiro,
Sempre alterando o produto,
Cada dia gosto mais de um
E cada dia menos de outro
Até que, aquele outro,
Dia,
Voltasse.
E volta às vezes com tudo
Às vezes absurdo, me machuco,
Sofro encolhido
Sem nem consumir o corpo físico desse amor desconhecido
São tantos os sentidos e a maioria me pergunta o signo
Uns fogem quando respondo
E não adianta nem dizer que não pareço ariano.
Não, não pareço... A não ser que me deixes louco,
O que já sou um pouco e a maior parte do tempo
Que nem me lembro de qual era o assunto
Quando me fazem essa pergunta de céu, 
Lua, 
Estrela em conjunto...
Enfim... Se apaixonar é tão bom...
É tão bom sentir o coração na barriga
A sua língua na minha mente
O desejo constante de segurar os seus pés 
Quando estiver sentado comigo frente a frente.
E que não se invente outra maneira de sentir!
Que se esqueça a maneira de falar
E que se coma com os olhos
E que depois de cinco minutos,
Ou não sei, talvez alguns poucos segundos,
Eu goze 
Nesse instante inerte de silencio em profundidade.
E goze muito,
Porque eu derramo dos olhos um sentimento puro
É o meu orgasmo por estar em sua presença
Nesse momento de mundo.

     Alexx Albert
    Sobre coisas que conversamos e outras não
    Rio de Janeiro, 14 de julho de 2016. 18hs e 30 minutos

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sobre coisas que conversamos e as duas partes


Ei...Eu quero te pedir uma coisa.
Não brigue, por favor...
Eu não sou nada quando você briga,
E além disso,
Eu já brigo comigo mesmo pelo que penso
ou se me vejo diferente do que tenho aqui dentro.

E olha que eu não tenho nada,

só um vício chato e tarado

que não sei como se chama:

é como querer sua atenção só pra mim.
suas mensagens só para mim,
e que seu calor só tenha o único objetivo de me aquecer
E nada mais. Nada mais.
Isso não é puro.
Eu, por várias vezes, já tentei escrever sobre o sentimento puro
E nunca consegui.
Nunca é algo assim como você.
Eu não sei se é porque você é mais puro do que isso
Ou se eu é que sou algum tipo de pervertido
Pelo sentimento de pureza que talvez desejasse ter por você
E não consigo, por esses motivos que lhe digo.
É... 
Verdade...
Isso não é um motivo, 
quiçá motivos.
Eu não sei se o problema é o meu signo
Ou o seu, ou se somos incompatíveis...
Em signos...
Eu gostaria de não acreditar nisso.
Nesse negócio de horóscopo, astrologia,
Eu na verdade não entendo muito...
Eu devo estar sofrendo tanto pois o sol e Vênus estão em câncer
É muito pesado!
Eu não sei o que isso quer dizer, mas eu vi escrito em algum lugar e sei que você gosta, por isso eu quis falar...
Não me leve mal, acredite
É muito pesado
E eu não sei lidar com isso.
Deve ser o meu signo.
Não, não é isso. É que eu não suporto tua falta numa manhã de domingo
e é por isso que eu durmo até às cinco
Não suporto ficar quieto.
É isso!
O arquivo que tenho no computador para escrever coisas,
Poesias,
Canções,
Letras indecifráveis,
Martírios da psicologia doente que existe em mim,
Se chama What's up.
O que está havendo entre nós?
Será que somos sempre os mesmos?
Estamos sempre torcendo para nada de errado mudar?
Eu não sei.
Acho que agora somos mesmo errados e eu não tenho coragem de falar.
Eu na verdade não sei falar.
Não tenho nada o que falar
A não ser em uma tarde na praia
Sentado ao lado de uma bolsa térmica
Cheia de cervejas
E não importa a marca
A barata(antártica) tem me dado dor de cabeça,
É sim.
Não o tenho que falar a não ser o preço do papel higiênico,
Não tenho medo,
Tenho dó.
Quando abro a boca nessas tardes no recreio,
aí sim, desato a falar sem medo,
Tenho dó.
É só no outro dia que vou saber o contratempo.
Tenho sorte de ser tão parecido com os livros grossos
Que se esquece metade do texto quando acaba de -lo.
Na verdade sou eu que esqueço.
Sou eu que não lembro das narrativas dos livros, 
das peças,
dos filmes,
dos amores, 
dos anos,
de qual é a ordem dos livros na estante,
qual dos planetas vem primeiro,
a ordem dos signos que não começa em janeiro
mas temos um carneiro em março (disso eu sei).
Deve ser porque penso à frente,
No próximo amor sem me livrar do primeiro.
No próximo capítulo e quantas páginas faltam para acabar o livro,
No próximo tema que pode virar uma peça que eu nunca vou apresentar.
Não tenho mais esperanças de atuar, mas escrevo para isso.
Não tenho mais esperanças de mudar.
É melhor assim.
A minha esperança é de te ver
e ela ocupa um espaço significativo sobre isso
sobre esse buraco esverdeado que se chama esperança
que está para mim como um pântano:
algumas coisas afundam na areia movediça, 
outras permanecem;
sobre os malefícios que vão me causar no casamento,
sobre quanto tempo a roda gigante levará para fazer a volta,
se ficaremos parados lá em cima, 
se estaremos sozinhos,
se teremos mais sons de ponteiros ou de gemidos,
se seremos silenciosos ou espontâneos,
se brigaremos e quanto tempo ira levar para falarmos de novo;
Fingiríamos que nada aconteceu?
Os místicos tem muitos palpites sobre isso
mas eu não quero saber,
quero deixar acontecer com os segundos correntes
como correm as águas de Janeiro no Rio inteiro.
Não existem mais tantos rios e os poemas sempre são os mesmos,
Não há tempo que volte,
Há sempre o som de um ponteiro, sempre um medo,
Mas nada é corriqueiro.
A esperança é que você venha colorir o meu pântano,
mudar o meu mangue como é de costume no Rio de Janeiro
A esperança é que você faça o meu aterro.


          Rio de Janeiro, 02 de agosto de 2016, 13hs29min.
          Sobre coisas que conversamos e as duas partes
                                      Alexx Abert

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Trovões


Já escuto os barulhos de trovão lá fora
Já escuto e sei que essa hora
Em que o sol vai embora
Meus olhos não funcionam direito
Nem com a luz acesa

Você nem sabe a tristeza de não tê-lo aqui


Já escuto os barulhos de trovão aqui dentro

Já escuto os barulhos de trovão e me vejo 
No espelho
Pronto a atrair um raio
Pronto e branco feito um paspalho...


É melhor eu cobrir com um lençol!


Me Cobri!



                       Alexx Albert

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quase linha, quase reta. Um quase Poema.

Posso saber quem esta aí?
Quem se importa e quem é contra toda essa radicalidade que invade os dias. (?)
Quem? Eu?
Quem é você pra me dizer o que sinto e pra me perguntar o porque de eu estar falando assim?
(não quero ser agressivo)
É que estou cansado.
Cansado de positividades e gratidões inglórias,
De radicalismos extremos e suspensos.
Não há pendão melhor que nosso silencio pacífico interno!
Esse é o momento,
Esse é o teu tempo, o movimento do vento que te balança.
Eu amo você, meu amor, por mim. Não por você.
Não por você!
Pagamos hoje por falar.
Eu tenho medo de falar. Tenho medo dos radicais livres 
E dos oxidantes.
Tenho nojo e algumas palavras só porque não gostei de como foram usadas. Não as mais uso!
Eu sou o que você vê. Não é conhecimento, é visão.
E imagine o que quiser, porque o que realmente quero não consigo.
É frustrante.
É frustrante demais pra ficar escutando de todo mundo o que é certo e o que é errado.
Eu não estou perguntando!
Cada uma na sua razão, mas devagar divagaremos.
E será lindo.
Eu vivo sentindo saudades.
Não vou me posicionar. Não sou politicamente nem correto.
E nem quero saber disso.
Quero saber de ser leve e de te levar pra levitar.
Não vou me posicionar!
Vou vacilar pela vida inteira e de algumas coisas ter certeza.
Mas não vou me posicionar.
Embora descubra que o caminho da água às vezes toma outras rotas,
Não vou me posicionar.
Não agora.
  
                         Alexx Albert

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Cacoete

Sempre
Que olho
Uma Pessoa
Com um Tique
Parece
Que me dá
Um Taque
Por causa
Desse Troço
De Tique
Que acontece de repente
E que chamam 
Cacoete

                     Alexx Albert

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Comida de Passarinho

Esse passarinho só quer ser amado
E eu só posso lhe dar isso
Em conta-gotas
Talvez seja bom
Pois é o que cabe no seu bico lisinho

Comida de passarinho
É em coração de Louça

                                                     Alexx Albert

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Não Sei Se Vai Embora

Pela primeira vez Eu senti o Peso
A água batendo no rosto
O espelho
O sorriso de lágrimas
Daquelas fases mais doídas De que ninguém gosta

Pela primeira vez Eu senti Falta
Do sul, das cobertas, da sua Casa
Do inicio do amor verdadeiro que eu Desisti,
Mas que não sei se vai Embora

                                            Alexx Albert